
Há dias em que acordamos com uma sensação estranha no corpo.
Como um nó na garganta, um vazio no peito.
Nessa terça-feira, foi exatamente isso.
Sem vontade de trabalhar, o ânimo em baixo, uma tristeza difusa.
As mensagens e os conselhos dos meus próximos irritavam-me.
No fundo, eu sabia: ninguém me podia salvar por mim.
Eu precisava mergulhar em mim mesma, usar as chaves que já conheço.
Quando cheguei a casa, fiz uma sessão de breathwork.
Senti-me mais calma.
Chorei, sem perceber muito bem porquê.
A tristeza ainda lá estava, mas algo tinha mudado.
Uma leveza nova, uma doçura depois da tempestade.
Quando a noite caiu, veio também uma onda de angústia.
E um pensamento atravessou-me:
“Percebo as pessoas que têm vontade de desistir.”
Não era vontade de morrer, mas um cansaço profundo de lutar.
Um esgotamento mental de quem tenta encontrar soluções, em vão.
E se o segredo não fosse resistir, mas baixar as armas?
Quando estamos ansiosos, tentamos controlar tudo, compreender, analisar, corrigir.
Mas a solução não nasce do controlo.
Nasce da calma, da recetividade, da presença.
Durante muito tempo, eu fazia parte das pessoas que detestavam ouvir:
“Deixa ir, e tudo ficará melhor.”
Mas, no fundo, eu mentia a mim mesma.
Se eu soubesse realmente deixar ir, já o teria feito.
Então decidi explorar o que significa deixar ir — não na cabeça, mas no corpo.
O contrário do medo não é a coragem.
É o amor, a paz e a alegria.
Quanto mais criamos alegria, quanto mais amamos e cultivamos a paz interior,
mais o medo se dissolve, lentamente, naturalmente.
Então decidi não me deixar cair.
Levantei-me, mesmo sem vontade.
Pus música.
Dancei.
Abracei a minha cadela.
E pouco a pouco, a vida voltou.
Sentei-me e fiz uma visualização guiada.
Encontrei o meu pai e a minha mãe interiores — símbolos de força e de ternura.
Eles disseram-me:
“Cada momento que vives foi escolhido por e para ti, para cresceres.
Encontra o presente em cada experiência.
Confia no que não podes controlar.”
Depois, vi uma versão mais velha de mim mesma — a minha Eu do futuro.
Ela sorriu e disse-me:
“Ao quereres compreender tudo, esqueces-te de viver.
És como uma criança no Natal que quer adivinhar o presente.
Se adivinhas, perdes a alegria da surpresa. Se te enganas, ficas desiludida.
Em ambos os casos, perdes a magia do momento.”
Essas palavras tocaram-me profundamente.
Sim, eu queria tudo compreender, tudo antecipar, tudo controlar.
E ao fazê-lo, privava-me da magia da vida.
No fim da visualização, ouvi uma palavra:
“Desespero.”
E uma voz interior sussurrou:
“Vê a linguagem dos pássaros.”
E percebi:
Des-es-pero → O objeto da esperança está apenas longe.
O desespero não é ausência de esperança.
É apenas a sensação de que o que esperas está fora de alcance.
Mas a esperança nunca desapareceu. 💫
Era a minha crença — a de que seria desiludida, traída, impotente —
que afastava a esperança de mim.
Esta experiência fez-me lembrar que todas as ferramentas que aprendi —
a respiração, a dança, a visualização, a conexão espiritual —
não servem apenas para os bons dias,
mas para aqueles em que tudo parece desmoronar-se.
É nesses momentos de desconforto que medimos o seu poder.
E foi graças a eles que pude, mais uma vez,
transformar o desespero em luz,
e o medo… em amor. 💛