
Há algum tempo tive um sonho muito marcante… daqueles que não se apagam ao acordar. 🌙
Estava numa escola, rodeada de muita gente. Não era especialmente popular — era apenas eu, com alguns amigos próximos.
Um dia, descobrimos uma porta escondida…
Atrás dela, um longo corredor em descida, como uma piscina vazia, que levava a um grande tanque de água. 🌊
Decidimos mergulhar.
Era o nosso lugar secreto, um espaço de alegria, de liberdade, de segurança.
Mas, pouco a pouco, começaram a chegar outros alunos, depois toda a escola.
O nosso santuário tinha sido descoberto.
E, de repente, deixei de me sentir em casa.
Antes de partir, o rapaz mais popular da escola — alguém que eu conhecia na vida real — veio falar comigo, com um tom irónico mas também gentil:
“É pena teres guardado este lugar em segredo. Podias tê-lo partilhado com os outros.”
As suas palavras fizeram-me pensar.
Senti-me ao mesmo tempo culpada e lúcida.
Como se o sonho já me quisesse falar sobre o equilíbrio entre abertura e preservação de mim própria.
Lembro-me de ter saído dali com uma sensação estranha: a de ter perdido um espaço sagrado.
Este sonho mostrava-me o meu mundo interior — esse espaço íntimo que devo proteger.
A escola representa um lugar de aprendizagem, um espaço onde aprendo a evoluir, a relacionar-me e a compreender as lições da minha vida e do meu caminho.
A porta secreta simboliza o acesso ao meu jardim interior, o meu espaço íntimo.
Quando preciso de fazer uma pausa, é ali que me refugio.
Atrás dessa porta há água — um elemento que representa as emoções, a intuição e o subconsciente.
Mergulho com os meus amigos, divirto-me, sinto-me livre e segura → é o meu espaço de expressão pura, o meu mundo emocional autêntico.
Quando abro demasiado essa porta, deixo entrar os olhares, as expectativas e as energias dos outros.
Não é mau… mas, às vezes, afasta-me de mim.
É importante ter um lugar secreto, um espaço que só me pertence, onde posso simplesmente ser, sem ter de mostrar.
Esta parte do sonho fala do meu mundo interior e das fronteiras a estabelecer entre abrir-me aos outros, ser autêntica e transparente naquilo que quero partilhar, e guardar uma parte de mistério quando preciso, para não viver cada interação como uma invasão.
Viveria a minha vida na escola, iria às aulas, divertia-me com os meus amigos, e quando sentisse necessidade de calma e introspeção, de solidão para recarregar energia, abriria essa porta — e fecharia à chave para evitar qualquer intrusão.
Esta parte é muito mais espiritual e energética.
Fala sobre o meu papel de acompanhante e sobre proteger a minha energia.
Mais tarde, durante a noite, o sonho ganhou outro rosto.
Vi o meu irmão deitado na cama. Parecia em pânico, como se estivesse possuído por algo.
Aproximei-me e senti uma presença dentro dele.
Falei com essa entidade e ordenei-lhe que saísse do corpo dele, que o libertasse.
A entidade recusou.
Insisti.
De repente, um fumo escuro saiu da boca do meu irmão.
O corpo dele arqueou-se, deixou de respirar por um instante, e depois tudo voltou ao silêncio.
Foi então que ouvi uma voz a dizer-me:
“Espero que me agradeças pelo que acabei de fazer. Foi graças a mim que o teu irmão ficou liberto.”
Sem pensar, respondi: “Obrigada.”
E logo a seguir tive este pensamento:
Disse para mim própria: “Oh não, porque é que eu disse obrigada?! Não se agradece a uma entidade.”
Como um momento de lucidez dentro do sonho.
Perguntei-me se não estaria a viver uma experiência fora do corpo, real noutro plano.
E se, ao dizer essa palavra, tivesse feito um pacto sem querer, ou entregue parte do meu poder a essa energia.
Ao acordar, percebi que este sonho falava sobretudo de limites.
De proteger o meu espaço interior.
Quanto à entidade que me pediu para agradecer, percebi que ela procurava recuperar poder.
O facto de eu ter percebido o meu “erro” mostra o meu instinto espiritual a despertar — percebo que o “obrigada” é uma abertura energética.
Não me culpo; pelo contrário, reconheço que a minha alma me está a ensinar vigilância espiritual.
Estou a aprender a afirmar a minha autoridade energética sem entregar o meu poder — nem sequer através da gratidão.
Ajudaria o meu irmão a libertar-se da mesma forma.
No momento em que a entidade me fala, desejar-lhe-ia que regressasse à Terra e encontrasse a luz, se assim o desejasse.
Depois, tiraria um momento para me agradecer a mim própria e à minha energia por ter tido a força de ajudar.
Este sonho em duas partes lembrou-me que:
🌙 O silêncio e a intimidade são santuários.
💧 Dizer “não” pode ser um ato de amor-próprio.
🌞 E, acima de tudo, confiar apenas em mim e no meu sentir.
Este sonho ensinou-me a proteger o meu mundo interior, a confiar na minha luz,
e a reconhecer que o meu poder não precisa de ser provado — apenas honrado. 💛