
Há algum tempo, tomei consciência de um medo profundo:
o medo de me enganar na escolha do parceiro, de fazer a “má escolha” e de um dia ter de me separar depois de construir uma família.
É um medo antigo, silencioso, quase racional —
mas, na verdade, esconde uma crença muito mais íntima:
“Só mereço o amor se o viver até ao fim, sem me enganar.”
Percebi que esse medo vinha de um lugar dentro de mim que ainda carregava culpa.
Numa relação antiga, acreditei mesmo que ele era “o certo”.
Via-me a construir, crescer, amar, criar uma família.
E, no entanto, tive de escolher partir —
porque os nossos valores já não estavam alinhados.
E nesse dia, sem perceber, associei o “partir” ao “falhar”.
Castiguei-me por dentro por ter “estado errada”,
quando, na verdade, tinha escolhido a mim mesma.
Desde então, atraí homens ou indisponíveis, ou presentes mas sem ressonância.
Como se uma parte de mim quisesse provar-me que não podia enganar-me —
porque, assim, nunca haveria nada realmente para construir.
Mas hoje compreendo:
cada relação ensinou-me a escolher-me um pouco mais.
Cada ligação, tenha durado ou não,
guiou-me para mais amor por mim, mais clareza, mais consciência.
Durante um breathwork, vi o meu coração envolto numa camada de argila castanha.
Depois, ela começou a rachar, deixando aparecer o meu verdadeiro coração — vivo, vibrante, puro.
Percebi, nesse instante, que não estava a “libertar” nada,
mas sim a integrar tudo o que já tinha atravessado.
Como se o medo se tivesse dissolvido, substituído por uma imensa gratidão.
Não é por viver vários amores que me engano.
É porque me amo o suficiente para aprender, em cada um, a escolher-me mais uma vez.
Já não procuro uma relação que me prove que tive razão.
Desejo uma relação que me ajude a amar-me mais, a respeitar-me ainda mais, a manter-me alinhada comigo.
Pouco importa quantas histórias eu viva —
desde que cada uma me ensine a não me abandonar.
Deixo o Universo escolher o “como” e o “porquê”.
Eu escolho o “quê”:
uma relação de amor que me aproxime de mim.
Quando te escolhes, voltas a ser o centro da tua vida.
Deixas de viver em reação ao exterior
e começas a criar a partir do teu coração.
Já não procuras ser amada para te sentires completa,
tornas-te completa em ti mesma.
Amar-te não é achares-te perfeita.
É seres o teu próprio refúgio.
É dizeres-te: aconteça o que acontecer, eu fico aqui por mim.
E quando tens essa segurança interior,
podes amar sem medo,
dar sem te perder,
abrir-te sem te diluíres.
Já não precisas de um amor que te complete,
vives um amor que te revela.
Escolher-te e amar-te
é deixar de procurar o amor como uma recompensa
e vivê-lo como uma evidência.
Deixas de amar por falta,
e começas a amar por abundância.
E é aí que tudo muda:
já não atrais a partir do medo,
mas a partir da paz.
💫
No amor, nunca te enganaste.
Apenas te aproximaste, a cada vez, um pouco mais de ti mesma.